Reforma ortográfica

 

Parte III

 

Emprego do hífen

 

● Elimina-se o hífen de palavras compostas em que se perdeu a noção de composição.

 

 

ANTES

DEPOIS

 
 

pára-quedas, manda-chuva

paraquedas, mandachuva

 

 

Aqui, salve-se quem puder. Além de pouco clara, a regra é omissa. Enquanto paraquedas agora é uma palavra composta sem hífen, toca-discos, composta da mesma forma que a outra, deve ser grafada com hífen. A única forma de não incorrer em erro, nesses casos, é consultar detidamente os dicionários quando for usar palavras compostas.

 

● Elimina-se o hífen em palavras derivadas por prefixação quando o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento iniciar-se por r ou s.

 

  ANTES DEPOIS  
  ante-sala, auto-retrato, anti-social, arqui-rivalidade, contra-regra, contra-senha, extra-seco, infra-som, infra-renal, ultra-sonografia, supra-renal antessala, autorretrato, antissocial, arquirrivalidade, contrarregra, contrassenha, extrasseco, infrassom, infrarrenal, ultrassonografia, suprarrenal  

 

Com prefixos terminados em -r,  mantém-se o hífen se a palavra seguinte também começar com -r: inter-racial, inter-relação, super-resistente.

 

Elimina-se o hífen em palavras formadas por prefixos terminados em vogal se a segunda palavra iniciar-se por vogal diferente:

 

  ANTES DEPOIS  
  auto-afirmação, contra-indicação, extra-escolar, infra-estrutura, intra-ocular, neo-imperialista, semi-aberto, supra-ocular, ultra-elevado autoafirmação, contraindicação, extraescolar, infraestrutura, intraocular, neoimperialista, semiaberto, supraocular, ultraelevado  

 

Não se aplica esta regra se a palavra seguinte começar com h: anti-higiênico, extra-humano, ultra-humano.

 

Atenção para palavras que na composição perderam a letra h: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc.

 

● Mantém-se o hífen em palavras compostas se os elementos constituem unidade semântica com tonicidade própria e nas que designam espécies botânicas e zoológicas.

 

Alguns exemplos: ano-luz, azul-escuro, decreto-lei, afro-brasileiro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi.

 

Obs.: Com relação às palavras que designam espécies botânicas e zoológicas fica fácil aplicar a regra, mas este caso apresenta enorme complexidade com relação à condição de que o hífen se mantém em palavras compostas cujos elementos constituem unidade semântica com tonicidade própria. Consulte o dicionário se houver dúvida.

 

Há hífen em palavras formadas pelos prefixos ex-, vice-, soto-, sota-, vizo-: ex-aluno, vice-presidente, vizo-rei, sota-piloto.

 

Por esta regra, as formas sotopor e sotoposição passam a ser grafadas soto-pôr e soto-posição.

 

Há hífen quando o prefixo é ab-, ob-, sob-, sub- e ad- e o segundo elemento começa por b e r: ad-referendar, ab-rupto (mas também abrupto), sub-reitor, ob-rogar.

 

Acrescenta-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo terminado em vogal e o segundo elemento da composição inicia com a mesma vogal.

 

  ANTES DEPOIS  
  antiinflamatório, antiinflacionário, arquiinimigo, microondas, microônibus anti-inflamatório, anti-inflacionário, arqui-inimigo, micro-ondas, micro-ônibus  

 

Exceção: não se usa hífen com o prefixo co-: coabitar, coautor.

 

● Há hífen com os prefixos circum- e pan- seguidos de palavras começadas por vogal, m, n e h: circum-escolar, circum-navegação, pan-africano, pan-helênico.

 

● Há hífen com os prefixos hiper-, inter- e super- seguidos de palavras começadas por r: hiper-realista, inter-relação, super-real.

 

● Há hífen com o prefixo ex- significando estado anterior ou cessamento: ex-marido, ex-voto.

 

● Há hífen com os prefixos pré-, pró-, pós-, quando o segundo elemento tem "vida à parte": pré-operatório, pró-europeu, pós-graduação.

 

Diferente de prever, pospor e promover.

 

● Há hífen com os elementos além-, aquém-, recém- e sem: além-mar, recém-casado, sem-vergonha.

 

● Não há mais hífen nas locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, capitão do mato, cor de café com leite, etc.

 

Mas há exceções (as famigeradas palavras consagradas pelo uso): água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia (economia), ao deus-dará, à queima-roupa.

 

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