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Ainda sobre a reforma ortográfica

 

A reforma ortográfica promulgada em setembro de 2008 entrou efetivamente em vigor desde o dia 1º de janeiro de 2009, com prazo para o usuário da língua se adaptar plenamente a ela até dezembro de 2015, já que a partir de 1º de janeiro de 2016 será a norma ortográfica da língua portuguesa.

 

Visando contribuir para que as novas regras possam ser assimiladas por quem escreve em língua portuguesa, resolvi publicar, a partir de hoje, um prático resumo, dividido em três partes:

 

Parte I: alfabeto, trema e acentuação gráfica

 

Parte II: emprego do hífen

 

Parte III: emprego de iniciais maiúsculas e outros casos

 

Mas aduzo algumas ressalvas.

 

Com relação à acentuação gráfica, por exemplo, hasteei bandeira a meio mastro. Isso porque, a despeito do avanço alcançado com algumas mudanças, não consigo compreender por que desdobraram, por exemplo, a regra do ditongos abertos tônicos -ei, -eu, -oi. Antes da reforma, já sabíamos: acentuam-se os ditongos abertos tônicos -ei, -eu, -oi. Pronto: era só tacar o acento em assembléia (agora é errado, o correto é assembleia) e céu. Em vez disso, agora temos de manter o mesmo acento nos monossílabos tônicos (rói) e nas palavras oxítonas (anéis) e retirá-lo das palavras paroxítonas: colmeia, jiboia, mesozoico, por exemplo.

 

Com relação ao emprego de iniciais maiúsculas, a reforma foi muito pouco significativa. Maiúsculas enfeiam o texto e muitas vezes são mero exercício de vaidade. Iniciais maiúsculas devem ser utilizadas apenas em casos muito específicos.

 

Um dos pontos mais polêmicos da reforma é a grafia de verbos derivados de substantivos terminados em -ia ou -io átonos. Nenhum problema se pronunciarmos ou escrevermos caluneio ou influenceio a partir de agora. Comunicar-nos-emos com precisão, talvez, com o falante mais recôndito da língua portuguesa.

 

E o que falar do hífen? Eu, particularmente, e há muito tempo, acho o hífen um despropósito. Por que não o aboliram de uma vez? Ainda mais se considerarmos a imprecisão das novas regras, quase sempre acompanhadas da ressalva excetuam-se deste caso as palavras consagradas pelo uso ou extrapoladas pelas exceções. Quem é que vai consagrá-las ou as terá consagrado?

 

Com relação ao hífen, ouso recomendar pouca regra e muito dicionário. Que é melhor adquirir depois de verificar se está em acordo com o Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. Enquanto isso, salve-se quem puder. Temos até 1º de janeiro de 2016 para nos segurar nessa tábua.

 

"Pão ou pães é questão de opiniães", disse Guimarães Rosa. Daí que, opinar por opinar, talvez eu devesse me manter calado, mas não pude evitar de enfiar o dedo no glacê do bolo da reforma ortográfica. Acrescentando estes rudimentos a um artigo anterior, aqui vai o arremate do que penso a respeito.

 

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© 2007 Pedro J. Nunes. Todos os direitos reservados.