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Eu odio (reforma ortográfica)

 

Lembram-se do palhaço Tiririca? Exatamente: aquele que, à custa da boa-fé dos telespectadores, encheu os bolsos de dinheiro e que falava eu odio, em vez de eu odeio. Pois é, esse pobre palhaço agora está cheio de razão. Claro, você há de lembrar que encher o bolso de dinheiro enganando o povo é totalmente legítimo, mas isso é assunto para outra prosa. O que desejo falar aqui é de sua legitimidade em falar eu odio, isso mesmo, eu odio. Nova opção para a forma eu odeio.

 

A famigerada reforma ortográfica em vigor desde setembro de 2008, entre outros disparates, anulou a sutil diferença de flexão existente entre alguns verbos terminados em -iar que se flexionavam exatamente como os verbos terminados em -ear. E colocou ainda mais confusão em nossa caçarola.

 

Uma rápida explicação. No presente, os verbos terminados em -ear são flexionados eu penteio/eu penteie, eu ceio/eu ceie (de cear), enquanto que os verbos terminados em -iar são flexionados eu negocio/eu negocie, eu noticio/eu noticie, e assim por diante, mas somente no presente do indicativo e do subjuntivo. Mas havia exceção para alguns verbos do segundo caso, ou seja, terminados em -iar, que deveriam ser flexionados exatamente como os verbos com terminação -ear. Trata-se dos verbos MARIO, uma boa carta na cartola que alguns professores maceteiros adoram.

 

A coisa funciona mais ou menos assim:

 

Mediar

Ansiar

Remediar

Incendiar

Odiar

 

Exceções, esses verbos se flexionam medeio/medeie, anseio/anseie, remedeio/remedeie, incendeio/incendeie, odeio/odeie. Que era, aliás, uma tremenda confusão para o usuário incauto da língua, diga-se de passagem. Mas à qual, por outra via, já estávamos bastante acostumados.

 

Então, como é que fica? Facilitaram para a gente?

 

Pelas regras da reforma, há variação na conjugação de verbos terminados em -iar oriundos de substantivos terminados em -ia ou -io átonos. Exemplos: premiar, de prêmio; negociar, de negócio. E aí é que está o imbróglio. Se antes você falava eu premio e eu odeio (neste caso em razão do que já expliquei), agora você pode falar livremente eu premio ou eu premeio, eu odeio ou eu odio. Beleza, não? Claro, desde que você saiba a origem do verbo. Nesse caso, você não sairá por aí dizendo eu hastio, pois o verbo hastear tem origem em haste.

 

De onde tiraram esse coelho? Provavelmente de alguns recônditos nichos linguísticos indefinidos. Mas o fato é que o palhaço Tiririca está cheio de prosa. Posto tenha perdido a piada.

 


Obs.: Em virtude da pouca clareza da Base V, 2º parágrafo, letra e do Novo Acordo Ortográfico, continuamos recomendando a flexão de tais verbos como vinha sendo feito antes da reforma. Para mais esclarecimentos, visite verbos terminados em -ear e -iar, neste site.

 

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© 2007 Pedro J. Nunes. Todos os direitos reservados.