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Risco de morte

 

De um tempo para cá virou uma febre falar “corretamente”. Então, como num passe de mágica, antigas expressões, sob a acusação de anacrônicas e, em razão da nova ordem, ininteligíveis (por causa de sua origem), tiveram de ser trocadas a toque de caixa para dar maior “clareza” à comunicação. Uma dessas expressões, que pareceu dar novo hálito à língua, foi logo adotada pelos falantes: risco de morte. Ora, afinal, risco de morte é o contrário de risco de vida, protestam seus defensores – ferrenhos, diga-se de passagem. Quem é que pode correr risco de vida? Os que não fumam? Os que praticam esporte e adotam hábitos saudáveis? Pois bem, risco de morte, afinal, corre quem atravessa a pista desavisadamente ou toca nos fios de alta-tensão.

 

Pois é, lamento desapontar algumas pessoas. Neste caso – risco de vida, risco de morte – é como estabeleceu Guimarães Rosa: “Pão ou pães é questão de opiniães.” Isso mesmo! Fale como quiser, escolha livremente a expressão que desejar. Mas entre o “risco de (encontrar a) morte” ou “risco de (perder a) vida”, fique bem. Evite o perigo. E não esqueça: correção não é modismo, embora possam sempre combinar, e elegância linguística é não cair na esparrela.

 

Saúde!

 

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© 2007 Pedro J. Nunes. Todos os direitos reservados.