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Uso de "melhor"

Claudemir pergunta como fazer para saber se a palavra melhores está de acordo com a norma culta na seguinte oração: "a implicação é que esses países talvez saíssem melhores economicamente se fossem mais parecidos entre si". 

Melhor assume papel de comparativo adjetivo em frases como Elas são as melhores jogadoras que este time já teve ou Esforço-me para ser melhor. Como tal, flexiona-se como qualquer adjetivo. Se mudássemos o número do sujeito a que se refere a palavra melhor em cada frase, teríamos boa concordância com Ela é a melhor jogadora que este time já teve ou Esforçamo-nos para ser melhores. O mesmo acontece com pior.

Melhor e pior são também comparativos de bem e mal, respectivamente. Veja só: Desejamos jogar melhor. Mudando-se o número do sujeito, teremos Desejo jogar melhor. Nada muda.

Complicado? Não, absolutamente. Há um recurso bem simples para saber se melhor é comparativo adjetivo, caso em que deve se flexionar com a palavra que determina, ou se é comparativo adverbial, caso em que não se flexiona. Basta substituí-lo por bom ou bem.

Vamos tomar os exemplos já dados:

1. Elas são boas jogadoras. Pronto: função adjetiva. Tanto que se o sujeito for ela, a concordância é feita Ela é boa jogadora (concordância também no gênero, claro).

2. Desejamos jogar bem. E não poderia ser de outra forma se escrevêssemos Desejo jogar bem. Aí está: função adverbial.

O que ocorre com a frase enviada por Claudemir? Está tão bem assim quanto assada. Vamos reescrevê-la:

1. A implicação é que esses países talvez saíssem bons economicamente se fossem mais parecidos entre si.

2. A implicação é que esses países talvez saíssem bem economicamente se fossem mais parecidos entre si.

A liberdade de expressão, compromissada com a precisão da informação, só depende de um pequeno conhecimento do papel das palavras. É, no mais das vezes, uma questão de escolha. O que pode ser bem simples.

 

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© 2007 Pedro J. Nunes. Todos os direitos reservados.