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Emprego do advérbio

 

Diogo mandou-nos uma frase: “As crianças morrem de subnutrição, nas regiões mais pobres.” Exatamente assim. E pergunta qual o advérbio da frase.

 

Antes de responder, considero interessante colocar aqui alguns fatos acerca do advérbio, a começar por sua definição: advérbio é a palavra invariável, ou seja, não permite flexão de gênero ou número, modificadora, essencialmente, de verbo, atribuindo-lhe circunstâncias de tempo, modo, lugar, etc. Ex.: “Comprarei logo esses óculos.”

 

Há também os advérbios de intensidade, que, além de modificar o verbo (gritou muito), modificam também adjetivos (bonita demais) e advérbios (muito tarde).

 

Praticamente impossível classificar todos os advérbios, por isso não devemos perder uma boa noite de sono tentando atribuir-lhes uma classificação. Perda de tempo.

 

Recomenda-se que se use o advérbio com cuidado, pois ele dará precisão à informação que se quer transmitir. Assim, se dizemos “Fulano chegou”, está completa a informação, nada lhe falta. Mas se quisermos dar-lhe mais precisão, talvez devamos acrescentar-lhe uma circunstância qualquer, como “Fulano chegou tarde” ou, melhor ainda, “Fulano chegou às dez horas”.

 

Há casos em que o advérbio é indispensável. Em frases como “vou a Vitória” soaria bastante estranha sua ausência.

 

Mas voltemos à questão de nosso estimado Diogo. Em “as crianças morrem de fome” fica fácil notar que ao verbo morrer se acrescenta uma circunstância de causa: de fome. Portanto, aí está o primeiro advérbio. E há o segundo, pois nas regiões mais pobres acrescenta ainda ao verbo morrer uma segunda circunstância, a de lugar. E mesmo o terceiro, em “mais pobres”, já que mais intensifica o adjetivo pobres.

 

Vai uma última consideração, agora em relação à pontuação da frase. Em ordem direta, ou seja, com os termos sintáticos nas devidas posições, a maioria dos enunciados dispensa a vírgula. Como é o caso, omita-se a vírgula no exemplo fornecido por Diogo, devendo a frase ficar “As crianças morrem de subnutrição nas regiões mais pobres.”

 

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© 2007 Pedro J. Nunes. Todos os direitos reservados.