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Importância de contextualização de um enunciado

 

Questões sérias envolvem a compreensão das ideias expressas por enunciados fora de um contexto. É o caso dos exemplos enviados por Adriana, frequentadora do site Língua Portuguesa, que nos encaminhou uma questão: “Tenho dúvida quanto ao emprego da vírgula nas frases a seguir, gostaria de saber a diferença (sentido) do emprego ou não da vírgula.”

 

E enviou as orações:

 

1. O indivíduo não matou a mulher, como havia prometido.

 

2. O indivíduo não matou a mulher como havia prometido.

 

A vírgula espreita armadilhas se não soubermos usá-la, mas, além de seu uso adequado, é necessário que conheçamos os diversos papéis que os conectivos entre as orações acima exercem.

 

Entre as várias funções que a palavra como exerce está a de conjunção subordinativa. Essas conjunções introduzem as orações subordinadas e, apesar do calafrio que esse nome causa à maioria dos usuários da língua, as orações subordinadas não são assim tão difíceis.

 

Mas voltemos ao caso da palavra como nas orações acima.

 

No caso da oração 1 fica claro que o indivíduo agiu em conformidade com o que havia prometido, ou seja, não matou a mulher. A vírgula, desnecessária aí se a oração estivesse contextualizada, ou seja, se as informações contidas no texto em que estivesse inserida confirmassem a ideia que ela apresenta, foi aí colocada (e é opcional) apenas para deixar bem clara a ideia de que, conforme havia prometido, o indivíduo não matou a mulher. A conjunção como estabelece aí uma relação de conformidade de um fato com o outro e foi usada com o mesmo papel da conjunção conforme, conjunção típica para exprimir essa circunstância.

 

Na oração 2, isolada de um contexto, e é importante que reflitamos sobre ela nessa circunstância, a palavra como pode, repito, pode exercer a função de pronome relativo cujo antecedente, aqui omitido, poderia ser da forma, do modo ou da maneira. Seu uso deixaria a oração com sentido claro, ou seja, a de que o indivíduo prometeu matar a mulher de um modo, mas matou de outro.

 

Mas vamos um pouco adiante, criando dois contextos distintos para os dois significados dos exemplos encaminhados por Adriana.

 

Contexto 1. Paulo foi visto passeando pelo parque com Adélia. Vê-se que ele não matou a mulher como havia prometido.

 

Contexto 2. O cadáver de Adélia tinha inúmeras feridas provocadas por faca, embora Paulo houvesse prometido matá-la a tiros. Vê-se que ele não matou a mulher como havia prometido.

 

Ficam claros os sentidos que contextos distintos dão às orações.

 

Fica aí então a recomendação: palavras, expressões, orações devem estar dentro de um contexto. Soltas, são armadilhas, pegadinhas, de nada servem senão para confundir e deixar o usuário da língua distante daquilo que deseja expressar.

 

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