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O pouco que sei da língua deram-me os livros e principalmente meus alunos. Para consubstanciar meus rudimentos, formei-me em Letras-português pela Universidade Federal do Espírito Santo em 1991 e durante alguns anos fui um ativo professor de português. De um tempo para cá tornei-me professor desistente.

 

Este site é resultado de minhas anotações sobre fatos da língua. Sem maiores pretensões, decidi compartilhar meus estudos com aqueles que, tanto quanto eu, precisam de um mínimo de domínio do idioma para escrever, passar em concursos, tornar sua vida melhor. Comungo aqui daquilo que sei e o que sei, como a vida, está sujeito a revisões e melhorias.

 

Bem-vindos.

 


 

A priori e a posteriori

 

Tem sido comum o uso das locuções latinas a priori e a posteriori como locuções adverbiais significando antes e depois, respectivamente. Mas é preciso esclarecer que o emprego dessa forma é inadequado.

 

A priori deve ter uso restrito quando significa que ainda não há comprovação do que se afirma: "Acreditamos, a priori, na solução do difícil problema" (embora não se tenha comprovado a causa do problema).

 

A posteriori deve ser usada quando se conhece a causa: A posteriori, os epidemiologistas afirmaram conhecer as causas do surto de gripe, ou seja, as causas são conhecidas e comprovadas.

 

Em resumo:

 

A priori: sem comprovação, sem conhecimento das causas e dos efeitos.

 

A posteriori: com comprovação, com conhecimento das causas e dos efeitos.

 

E lembrar-se sempre de que essas locuções não podem ser usadas como meros sinônimos de anterior ou posterior.

 


 

Banana-da-terra e pimenta-malagueta

 

As novas regras ortográficas estabelecem que substantivos compostos designando espécies botânicas mantêm o hífen. Assim, pimenta-do-reino, pimenta-doce, batata-inglesa, pimenta-de-cheiro, pimenta-da-jamaica, etc.

 


 

Senão quando

 

Substitui a expressão completa mas, quando menos se esperava.

Ex.: Tínhamos todos perdido a esperança, senão quando ela apareceu sem nenhum ferimento.

 


 

Se não ou senão?

 

Se não: usa-se quando o se pode ser substituído por caso ou na hipótese de que.

Ex.: Se não chover, viajarei amanhã (Caso não chova - ou na hipótese de que não chova -, viajarei amanhã.)

 

Senão: se não se tratar da alternativa anterior, a expressão será sempre senão.

Ex.: Vá de uma vez, senão você chegará atrasado.

 

Observemos algumas peculiaridades quanto ao uso de senão:

 

1. Significando de outro modo, do contrário: Volte cedo, senão encontrará a porta fechada.

 

2. Significando mas sim: Eu não tive intenção de ofender ninguém, senão de esclarecer os fatos.

 

3. Significando mais do que: Ele não fez senão sua obrigação.

 

4. Significando a não ser: Não havia senão bêbados na praça.

 


 

Afim ou a fim?

 

Afim: usa-se quando o sentido é semelhante.

Ex.: O gosto dela era afim ao da turma.

      

A expressão a fim pode ir para o plural: Eles possuem sentimentos afins.

 

A fim: usa-se quando o sentido é finalidade.

Ex.: Veio a fim de conhecer os parentes.

 


 

Os nomes dos cargos e as iniciais

 

O internauta R.D. pergunta se títulos como "Presidente da República", "Ministro da Fazenda", "Papa Bento XVI", etc. ainda são escritos com letra maiúscula.

 

É mais do que razoável o surgimento de dúvidas. Porque os manuais de ortografia e a maioria dos gramáticos, advogando a causa da vaidade, estabelecem ter inicial maiúscula os títulos em geral, como os nomes de altos cargos, dignidades e postos. E citam como exemplos, por exemplo: Papa, Cardeal, Presidente da República, Vigário, Governador, Secretário, General e por aí vai.

 

E essa salada leva ainda um pouco mais desse molho insano. Veja a recomendação de Luiz Antonio Sacconi em Nossa gramática – teoria e prática, para o uso de iniciais maiúsculas:

 

“15) nas palavras que, em cartas, se dirigem a um amigo, a um colega, a uma pessoa respeitável, as quais, por deferência, consideração ou respeito, se queira realçar por esta maneira: meu bom Amigo, caro Colega, meu prezado Mestre, estimado Professor, meu querido Pai, minha adorável Mãe, etc.” (pp. 43 e 44)

 

E resume, decidindo, nesta mesma página 44:

 

“Grafam-se com inicial minúscula os nomes que designam cargos, dignidades ou postos: cardeal, arcebispo, presidente, governador, ministro, embaixador, secretário, cônsul, etc.”

 

E então, como ficamos nós, meu caro R.D., quando não há consenso? Fácil: no uso. As normas ortográficas são felizes quando abrem brechas que nos permitam ser mais sensatos. Assim, a maioria das publicações brasileiras, periódicas ou não, adotou o uso de iniciais minúsculas para escrever os nomes dos cargos. O que nos permite escrever, sem medo de errar, “presidente da República”, “ministro da Fazenda” e “papa Bento XVI”.

 


Obs.: Este site usa e recomenda o emprego de iniciais minúsculas para escrever nomes de cargos. Veja os verbetes Iniciais maiúsculas e Iniciais minúsculas.

 

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